quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Rumo, aos montes

De tarde quero rir as praias,

Beber dos montes claros em frente aos meus olhos.

Como os pés andantes que de cada copa brota

Perder-me no rastro marrom de uma pobreza franciscana

Agora, ao longe, foge a ave sem rumo,

Junto ao caos de uma manhã sem dia.

Árvores arrancam-se de suas raízes,

Em grossos torrões de apego pátrio.

Existe um desconforto, uma voz tangendo o medo.

Como cópia de mim mesmo, singro o vento de além mar.

Entre as rochosas deformidades das encostas nuas

Sento aos pés dos montes

E sinto o cansaço que invade o solo e se espalha por minhas veias.

Quem dera poder libertar o morto da solidão dos cemitérios

E consumir as gotas que sobraram para uma vida no além túmulo,

Reativar os pulmões em mais um profundo suspiro

Inspirar, beber, sorver o gás deste céu de borrifos brancos.

E se alguma lâmina de corte tocar a carne,

Usar o algodão do céu como atenuante desse rio de sangue.

Todavia, morto-renascido e em pé como palha velha

Já todo liquido se esvaiu dos tecidos

Já não temo os cortes, já não anseio pelo calafrio do fio de aço.

Meu medo é do que povoa, e do que vem em massa.

Rumo, aos montes, em estrondosa ameaça de devastação.

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