Luzes circundantes
escapam dos faróis
por entre as névoas dos olhos cegos
captando todas as ilusões que larvam das nossas cabeças.
Este foi o soldo da empresa
o dinheiro pálido das palavras
fruto da entrega de tudo,
mesmo que ainda nada suficiente.
Como o velho no corredor,
chegando antes com os odores de poeira e morte
onde a mesma vem por esmolas e em conta-gotas de torneira esquecida
Por tudo que foi vivido,
perdeu-se em si.
Como os olhos revoltos para o interior das órbitas
uivando por entre os trilhos,
morrendo por debaixo deles.
clamando a piedade de uma meia-lua
a metade de um copo e meio
singrando com a língua o cristal do copo
tingindo o palato com o tanino azul.
E a onça bebeu o último cálice.
Com suas patas felpudas e seus olhos de fome.
Resta a taça seca,
bem como a seca de chuva que não vem.
farta são as memórias das chuvas ralas.
como nas restingas da solidão
como as balas de um canhão
despedaçando as últimas ressistências desse corpo decapitado
chuvas...gotas de chuvas
lágrimas...evaporadas antes de caírem
sonhos...da mesma água salobra das lágrimas
Alexandre Farias
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