terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


"Desde os primórdios da nação, os norte-americanos brancos vêm sendo acometidos por uma profunda incerteza íntima quanto a quem realmente são. Uma das maneiras adotadas para simplificar a resposta tem sido valer-se da presença dos norte-americanos negros, usando-a como um indicador, um símbolo dos limites, uma metáfora para o "forasteiro". Muitos brancos podiam observar a posição social dos negros e sentir que a cor proporcionava um aferidor simples e confiável para determinar em que medida a pessoa era ou não americana. Talvez por isso, um dos primeiros epítetos aprendidos por muitos imigrantes europeus ao desembarcar tenha sido o termo pejorativo nigger-esse termo os fazia sentir-se americanos instantaneamente. Mas essa é uma mágica capciosa. Apesar da diferença racial e do status social, havia nos negros algo indisputavelmente americano que não apenas suscitava dúvidas acerca do sistema de valores do homem branco mas também despertava a perturbadora suspeita de que, não importa o que mais seja o verdadeiro norte-americano, ele é também, de algum modo, negro."
Ralph Ellison, "WHAT AMERICA WOULD BE LIKE WITHOUT BLACKS",1970.

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